Investigação sobre morte de mulher atropelada em Corumbá ganha novos elementos após análise de imagens

Gravações mostram Thatiany Licetti Rodrigues na garupa de uma moto cerca de uma hora antes do atropelamento; motorista do carro não tinha CNH e teste do etilômetro registrou 0,80 mg/L
Da Costa Filho
03 de outubro de 2026

A Polícia Civil apura novas circunstâncias relacionadas à morte de Thatiany Licetti Rodrigues, de 39 anos, atropelada na madrugada de sexta-feira (2), em Corumbá. Imagens de segurança obtidas durante as diligências mostram a mulher na garupa de uma motocicleta conduzida por um homem de 45 anos, aproximadamente uma hora antes do acidente.
A partir dessas gravações, o motociclista também foi incluído na investigação. Entre as hipóteses que serão apuradas está a de eventual homicídio culposo na direção de veículo automotor. A medida tem caráter investigativo e não representa uma conclusão sobre possível responsabilidade do homem pela morte.
O atropelamento ocorreu por volta das 3h30, na Avenida Rio Branco, no bairro Universitário, nas proximidades de uma escola municipal. A vítima morreu após ser atingida por um Fiat Palio.
Socorro foi interrompido por colisão
Conforme informações da Central de Operações do 3º Grupamento de Bombeiros Militar, um motociclista que transitava pela avenida percebeu Thatiany caída no asfalto e parou para prestar assistência.
Enquanto ele tentava ajudá-la, um Fiat Palio, conduzido por uma mulher de 25 anos e ocupado também por um homem, atingiu a vítima e a motocicleta.
O motociclista conseguiu sair da trajetória do veículo antes do impacto, mas sofreu escoriações nos braços. A colisão arrastou a mulher e a moto por cerca de 30 metros.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram mobilizadas. Thatiany estava a aproximadamente 10 metros de uma faixa de pedestres.
Na avaliação inicial, os socorristas verificaram ausência de pulso e respiração, além de múltiplos ferimentos e lesões compatíveis com fraturas na região cervical e no braço direito. Uma equipe de Suporte Avançado do Samu realizou a avaliação médica e confirmou a morte.
Motorista foi encaminhada à delegacia
A Polícia Militar isolou a área para preservar o local e garantir a segurança durante o atendimento.
Segundo informações publicadas por outros veículos de comunicação, a condutora do automóvel admitiu aos policiais que havia ingerido bebida alcoólica. Submetida ao teste do etilômetro, ela apresentou resultado de 0,80 mg/L.
Também foi constatado que a mulher não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). De acordo com as informações divulgadas, ela foi autuada em flagrante por dirigir sem habilitação e por conduzir veículo com a capacidade psicomotora alterada em razão da ingestão de álcool. Posteriormente, foi levada à 1ª Delegacia de Polícia Civil.
O homem que conduzia a motocicleta igualmente não possuía CNH e foi autuado pela falta de habilitação.
Gravações registram momentos anteriores ao acidente
As diligências realizadas pela Polícia Civil incluíram a análise de duas gravações com horários distintos.
Uma câmera instalada em uma residência próxima ao local do atropelamento registrou a passagem do veículo às 3h21, segundo o horário exibido pelo equipamento. Esse registro foi incorporado à investigação.
Outra gravação foi apresentada por familiares de Thatiany à equipe policial. Conforme consta no boletim de ocorrência nº 4137/2026, o vídeo mostra a mulher em frente a uma residência, na companhia do motociclista de 45 anos.
O registro, marcado às 2h21, mostra Thatiany subindo na garupa da moto. Também aparece nas imagens o companheiro da mãe da mulher, que retira as chaves do veículo e tenta evitar que ela saia na motocicleta sem capacete.
O material foi anexado aos autos e acrescentou informações à apuração. De acordo com a Polícia Civil, a presença de Thatiany com o motociclista cerca de uma hora antes do horário registrado pela câmera próxima ao local do atropelamento não havia sido mencionada na primeira versão apresentada por ele.
Responsabilidades ainda serão esclarecidas
Com a inclusão do motociclista na investigação, a Polícia Civil pretende esclarecer as circunstâncias do ocorrido e verificar se há elementos que indiquem eventual responsabilidade criminal, inclusive em relação à hipótese de homicídio culposo na direção de veículo automotor.
A abertura dessa linha de apuração não comprova que o motociclista tenha contribuído para o atropelamento ou para a morte de Thatiany. Qualquer conclusão dependerá da análise conjunta dos depoimentos, das imagens, dos laudos periciais e dos demais elementos obtidos durante as diligências.
O trabalho policial busca reconstruir o percurso dos acontecimentos desde a saída de Thatiany da residência na garupa da motocicleta até o momento em que ela foi encontrada caída na Avenida Rio Branco.
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