Corumbaense: 20 anos de um título que devolveu o Galo à elite
- Reginaldo Coutinho - Colunista Parceiro

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Por Reginaldo Coutinho | 28/07/2026
Colunista Parceiro

O futebol de Corumbá é feito de capítulos inesquecíveis, e poucos são tão marcantes quanto a conquista do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 1984 e o título da Série B de 2006, que marcou o retorno do Corumbaense Futebol Clube à elite estadual após oito temporadas de ausência.
A história da reconquista começou a ser escrita antes mesmo de a bola rolar. Em 2004, durante as comemorações dos 20 anos do título estadual de 1984, um movimento ganhou força nos microfones da Rádio Comunitária FM Pantanal 87,9. No programa No Mundo da Bola, conduzido por este colunista, o então presidente Jorge Freitas participou de entrevistas que reacenderam a esperança da torcida e fortaleceram o debate sobre a volta do Corumbaense ao futebol profissional.

O entusiasmo tomou conta da cidade e, em 2005, o clube voltou a disputar a Segunda Divisão do Campeonato Sul-Mato-Grossense. A campanha terminou entre os quatro semifinalistas, mas a expectativa pelo acesso acabou frustrada em razão da mudança nos critérios da competição. Mesmo assim, a diretoria não desistiu do projeto.
Em 2006, o Corumbaense iniciou a temporada com um elenco modesto, formado por atletas da casa e alguns reforços. Os primeiros resultados não foram animadores, e uma derrota expressiva para o União Marambaia, de Bonito, provocou uma profunda reformulação no departamento de futebol.
O técnico Cláudio Mineiro deixou o comando da equipe, dando lugar ao experiente Da Silva. A comissão técnica também contou com o preparador físico Luciano Costa, cujo trabalho minucioso deixou a equipe em excelente condição física; com o preparador de goleiros Zé Ricardo; e com o massagista Jorge Esker (in memoriam). Além disso, chegaram reforços importantes, como Emerson, Thalles, Claudinho, o goleiro Roni, Luiz Carlos e Waldir, elevando significativamente o nível técnico do elenco.
O amistoso contra o Flamenguinho, no Estádio Piranhão, em Miranda, foi um divisor de águas. A goleada aplicada pelo Corumbaense mostrou que uma nova equipe surgia, pronta para lutar pelo acesso.
Mas foi em Ivinhema que a campanha ganhou contornos épicos. Em uma partida emocionante, o Corumbaense buscou o empate por 2 a 2 aos 49 minutos do segundo tempo, com gol de Thalles. O resultado garantiu um ponto precioso, mas o apito final foi seguido por cenas lamentáveis. Integrantes da equipe de arbitragem foram perseguidos e, durante a saída da delegação, o ônibus do Corumbaense foi apedrejado. Vidros foram quebrados e membros da delegação ficaram feridos, entre eles o jornalista Marcos Antônio Silvestre, hoje uma saudosa lembrança da imprensa esportiva sul-mato-grossense.
A rápida ação do motorista e o apoio da Polícia Militar foram fundamentais para garantir a segurança da equipe até a saída de Ivinhema. Um episódio que ficará marcado como um dos momentos mais tristes do futebol sul-mato-grossense, quando a violência tentou superar o esporte.
Superadas as dificuldades, o Galo seguiu firme. Nas semifinais, eliminou o União Marambaia, que teve o mando de campo suspenso em razão de brigas ocorridas na última rodada da fase de classificação. Com isso, a partida foi transferida para o Estádio Moreninhas, em Campo Grande, onde o Corumbaense garantiu vaga na decisão contra o Paranaíba.
Na primeira partida da final, uma atuação memorável: vitória por 4 a 0, com dois gols de Tuia, um de Paulo e outro de Emerson. No jogo de volta, diante de um Estádio Arthur Marinho completamente lotado, nova vitória por 2 a 1, com gols de Luiz Carlos e Ló, confirmando o título da Série B e o retorno do Corumbaense à Primeira Divisão. Emerson foi o maestro da equipe durante toda a campanha, assim como Márcio (Vaca), que teve papel decisivo nos jogos finais em razão da contusão do goleiro Roni.
Passados vinte anos daquela conquista, é justo reconhecer o trabalho coletivo que tornou esse sonho realidade. Os atletas, especialmente os pratas da casa, demonstraram determinação e orgulho ao vestir a camisa alvinegra. A diretoria também teve papel decisivo, com destaque para o presidente Jorge Freitas e o diretor de futebol Francisco Vieira Neto (Nikito), que lideraram um projeto responsável e vitorioso.
A conquista também contou com a participação efetiva do então prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (in memoriam), por meio da FUNEC, e do então diretor-presidente da fundação, professor Heliney Miranda Junior, incansável no desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao esporte, muitas das quais deixaram um legado que perdura até os dias atuais.
Mais do que um título, a conquista de 2006 representou a retomada da autoestima do futebol corumbaense. Foi a prova de que, com planejamento, união e paixão, o Galo conseguiu dar a volta por cima e escrever mais um capítulo inesquecível de sua história.













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